Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Para o MST o que vem primeiro?



O MST brasileiro irá prestar assessoria em terras expropriadas na Venezuela pelo governo daquele país. Segundo a informação divulgada, o MST terá como objetivo "facilitar a transferência tecnológica em agroecologia para que a Venezuela possa alcançar sua soberania alimentar". Também terá a missão de "organizar a produção e o trabalho dos agricultores com base no modelo de cooperativas utilizado nos assentamentos do Brasil".


Difícl é imaginar como o MST vai conseguir produzir algo na Venezuela se no Brasil sua contribuição nesse quesito é nula. Apesar de conceitualmente ser uma organização de trabalhadores, na verdade é um grupo com intenções meramente políticas. Trabalho não é seu forte e produzir sem trabalho é algo que só existe na esfera do pensamento.


Para confirmar esse fato basta acessar a página do movimento na internet. Digite lá no local destinado a pesquisa no site a palavra "trabalhar". O retorno da pesquisa resultará em 29 páginas com essa referência. Depois digite a palavra "ocupar" que é o que realmente o movimento faz: invadir e ocupar terras. O resultado retornado será nada mais nada menos do que 69 páginas.


Isso diz bastante sobre qual a principal prioridade do MST.


Se o povo da Venezuela ficar esperando que sua "soberania alimentar" saia de uma ação desenvolvida pelo MST irá é se encontrar rapidinho com a sogra de seu Lunga...

Sábado, 2 de Maio de 2009

Updike, Lugo, Galeano e os Coelhinhos Paraguaios




John Updike, escritor americano morto em Janeiro deste ano ficou famoso com uma série de novelas que retratava a vida de Harry "Rabbit" Angstrom, um americano-médio-protestante mostrado sob um ângulo realista e satírico ao mesmo tempo, onde sexo e condutas questionáveis se contrapunham a tradição religiosa do personagem e seu meio. Os romances no Brasil foram publicados com os títulos "Coelho Corre", "Coelho em Crise", "Coelho Cresce" e "Coelho Cai". Por último, em 2003, Updike escreveu "Coelho Se Cala e Outras Histórias" fechando a série.


Nesse último livro a história se inicia com a viúva de Harry sendo procurada por uma jovem dizendo ser filha do "Coelho", fruto de um caso que ele teria tido com sua mãe.


Sob esse enfoque o presidente do Paraguai Fernando Lugo parece ter sido extraído de um romance de Updike. Branco, escolarizado, membro da elite eclesiástica (foi bispo da igreja católica até ser dispensado pelo Vaticano após sua eleição em 2008) agiu como um verdadeiro colonizador, aproveitando-se de sua posição para abusar das nativas fazendo-lhes filhos os quais nunca reconheceria
espontaneamente. No presente caso, somente após ampla divulgação na imprensa e ameaça de ação judicial é que houve o reconhecimento.



Aliás, com esse comportamento Lugo encarna também o tal "opressor" fantasiado pelo Uruguaio Eduardo Galeano em seu livro "As Veias Abertas da América Latina". Pelo raciocínio do livro, primeiro os europeus e depois os americanos é que são responsáveis pelo subdesenvolvimento da América Latina. O próprio
Emir Sader (oráculo da esquerda) em artigo de seu blog diz que o capitalismo (trazido pelos opressores) não trouxe a civilização fundada nas armas e no crucifixo, mas opressão, discriminação, exploração dos recursos naturais e dos seres humanos. Nada mais americano que o presidente paraguaio ao replicar em seus relacionamentos com as nativas o comportamento inconsequente do personagem de Updike.


É claro que os que comemoraram a eleição do ex-bispo como mais uma vitória da esquerda na América Latina não darão o braço a torcer. Tentarão deixar de lado essa faceta digamos anglo-saxônica (em uma acepção pejorativa do termo) de Fernando Lugo, mas se esquecem que princípios, ética e moral fazem parte da pessoa mais do que um braço ou uma perna, ou um par de grandes orelhas brancas...

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Atum e Arroz - Alimentos Revolucionários



Em 2007, após terremoto que vitimou mais de 500 pessoas no Peru, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enviou ajuda humanitária aos desabrigados. No entanto, aproveitou-se de uma tragédia para fazer propaganda política dele e de seu protegido Olanta Humalla que havia sido derrotado na última eleição presidencial do Peru. A ajuda que enviou consistia em latas de atum onde estavam estampadas as fotos dos dois. Seria isso o socialismo do século XXI?? A utilização de novas técnicas, como o merchandising político??!! Pelo menos revolucionária a idéia foi.


A chamada busca do "bem comum" alardeada como um dos objetivos da tal "revolução bolivariana" pregada por Chávez deve ter algum custo que tenha que ser coberto com patrocínios. Portanto, nada mais nobre do que fazer esse sacrifício em nome da causa. Aliás, nada mais socialista que essa iniciativa... Dividir o custo da auto-promoção com todos!


Mas a realidade é diferente. A tal busca do socialismo de Chávez está acima do bem do povo. Chávez é escravo de uma ideologia e não um servidor de seu país. Está fazendo a Venezuela de cobaia, sucateando a indústria nacional intervindo na economia e aumentando gastos militares sem necessidade em detrimento do investimento em infraestrutura. O país já importa mais comida do que produz, consequência das medidas restritivas de preço e tabelamentos que implantou. Leite, açúcar, feijão e arroz são produtos de primeira necessidade que estão escassos na Venezuela.


Diante da escassez, a última do Chávez foi ordenar a 
invasão , pelo exército, das fábricas de arroz do país. A medida tem o objetivo de restabelecer o abastecimento do produto que está faltando nos supermercados devido ao congelamento de preço. Após o congelamento, as indústrias passaram a produzir outros tipos de arroz que estavam fora do controle do governo e deixaram de produzir o arroz com preço tabelado, prova de que intervenção estatal em demasia e de maneira populista só traz malefícios para a população (fato semelhante ocorreu na Argentina com a proibição da exportação do trigo o que reduziu a área de plantio, ao contrário do objetivo do governo que era suprir o mercado interno).


Chávez já mudou a bandeira e o nome oficial da Venezuela e até o 
fuso horário do país. Poderia também alterar o hino nacional incluindo no refrão trecho de uma música dos Titãs que diz:


"Bebida é agua. Comida é pasto"




Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Ser ou não ser... (ou a zona cinzenta e o contexto)



A decisão do ministro da Justiça Tarso Genro em conceder refúgio político ao italiano Cesare Battisti é no mínimo questionável. Na decisão, o ministro embasa a decisão na alegação dada pelo próprio Battisti que era perseguido pelas autoridades italianas em razão de "opiniões políticas" disseminadas à época que integrava grupo armado (PAC - Proletários Armados pelo Comunismo) na Itália nos anos 70. No entanto, o pedido de extradição se baseia em condenação por assassinato e terrorismo e não por expressão de simples opiniões.

Um dado interessante no despacho do ministro é que não existe a palavra "inocente" no texto. Apenas a informação de que Battisti "assegurava" não ter cometido os crimes de que estava sendo acusado. Mais na frente o texto diz:

"...(na Itália) formaram-se organizações revolucionárias de ação direta que operavam em zonas 'cinzentas', na estreita faixa entre a ação política insurrecional de caráter armado e a ação marginal do 'banditismo social'."

É intrigante tentar imaginar que tipo de ação se desenvolveu nessa tal "zona cinzenta"...

A questão central, então é: Battisti é ou não é um assassino ou um terrorista?? É inocente ou culpado das acusações??

Com a palavra o próprio Battisti. Em carta escrita pelo mesmo após o Conare - Comitê Nacional para os Refugiados ter negado seu pedido de refúgio, Battisti também não alega inocência . Diz apenas que não é criminoso comum e sim ativista político. Em um trecho da carta diz:

"Temos que buscar a Justiça, e lembrar a todos que meus atos não foram atos isolados. Mas sim atos inserido no Contexto."

O "contexto" que ele fala deve ser a mesma "zona cinzenta" citada pelo ministro Tarso Genro...

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Não deixem as crianças sozinhas...


A cúpula dos países da América Latina e Caribe, pela primeira vez acontece sem a presença dos Estados Unidos ou de algum país da Europa. Esse fato foi festejado pelo ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, como prova da maturidade dos países participantes. Segundo o ministro os países Latino-Americanos não precisam da tutela externa para se reunirem.

Infelizmente o ministro está errado. Seria realmente prova de amadurecimento se as reuniões não tivessem se transformado apenas em oportunidade para que os presidentes da Bolívia, Venezuela, Paraguai e Equador destilassem seus sentimentos anti-americanos e defendessem o calote de suas dívidas externas, incluída aí a devida ao Brasil.

Como crianças que ficam sozinhas em casa, sem supervisão de um adulto, esses países aproveitaram para tomar uma atitude sem sentido que só tem a intenção de afronta: aceitaram Cuba como país-membro do Grupo do Rio. Grupo esse que tem como um dos objetivos a "consolidação da democracia na América Latina e Caribe". Que sentido faz aceitar uma ditadura como membro de um grupo que visa consolidar a democracia???

Quando a algazarra acabar e todas as crianças, digo todos os presidentes, voltarem para suas casas o resultado deixado terá sido nulo, pois bravatas e afrontas tem efeito zero para o desenvolvimento político e econômico dos países que representam.

Domingo, 23 de Novembro de 2008

Protógenes Queiroz, o Eliot Ness tupiniquim


Um dos melhores filmes de todos os tempos, em minha opinião é "Os Intocáveis" com Kevin Costner, Robert De Niro, Sean Connery e Andy Garcia. No filme, Costner é Eliot Ness, um agente do governo americano encarregado de combater a corrupção e principalmente a desobediência a "Lei Seca" que vigorava em Chicago nos anos 30, sendo esses delitos comandados principalmente pelo gangster Al Capone (personagem de De Niro).

Com a missão de combater o crime organizado, Ness é perseguido, vê amigos serem mortos e a família também é ameaçada. Mas nada o impede de continuar tentando prender Capone, o que ele consegue no final do filme. E é no final do filme que é mostrado o que move Eliot Ness: seu compromisso com o cumprimento da Lei. Ao ser indagado o que pretendia fazer sobre a revogação da Lei Seca, ele responde: "Vou tomar um drinque"!!!

Incrivelmente Eliot Ness vem servindo de comparação com o Delegado Protógenes Queiroz da Polícia Federal que esteve a frente da Operação Satiagraha que tem como principal alvo o banqueiro Daniel Dantas. Na página sobre Ness na Wikipedia (em inglês) consta uma citação sobre Protógenes, que conforme o verbete, é definido como uma pessoa com "desejo de justiça".

A comparação não se sustenta devido aos métodos empregados pelo Delegado Protógenes. Toda sua motivação, disfarçada de desejo de justiça, é puramente ideológica, vide os jargões que emprega e a politização de suas ações. Daniel Dantas corre o risco de não ser condenado devido a esdrúxula participação da ABIN nas investigações. Também, não à toa, para os partidos de esquerda, Protógenes é a atual reserva moral do Brasil junto com o Juiz Fausto de Sanctis, responsável pelo julgamento do processo contra Dantas. Protógenes é assediado e defendido por partidos políticos, entre eles o radical PSOL com óbvias intenções eleitoreiras. Ness após a prisão de Capone foi promovido, Protógenes sofre investigação pela própria Polícia Federal por irregularidades na investigação que conduziu.

Agora que Lula assinou o decreto que permite a compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar), cuja concretização (que é a gênese de toda essa confusão) deixará o mesmo Daniel Dantas no mínimo R$ 1 bilhão mais rico, o que pretende Protógenes?? Em recente palestra a estudantes de Direito disse que sua vocação policial nasceu "depois de dar-se conta de que nesta função poderia investigar e prender até mesmo o presidente da República".

Vamos ver quão grande é a sede de justiça de nosso Eliot Ness...



Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Como superar a crise


Muito se fala da crise financeira e econômica mundial, mas é importante lembrar que as crises tem um forte componente psicológico (ou de percepção) em sua origem, desenvolvimento, manutenção e agravamento.

Lembrei de um antigo texto que trata dessa questão de forma bastante didática, o qual reproduzo abaixo:

 "Um Homem vivia na beira da estrada e vendia cachorros-quentes. Não tinha rádio e, por deficiência de vista, não podia ler jornais, mas, em compensação, vendia bons cachorros-quentes. Colocou um cartaz na beira da estrada, anunciando a mercadoria, e ficou por ali, gritando quando alguém passava: 

- Olha o cachorro-quente especial!! 

              E as pessoas compravam. Com isso, aumentou os pedidos de pão e salsichas, e acabou construindo uma boa mercearia. Então, mandou buscar o filho, que estudava na Universidade, para ajudá-lo a tocar o negócio, e alguma coisa aconteceu. O filho veio e disse: - Papai, o senhor não tem ouvido o rádio? Não tem lido jornais? Há uma crise muito séria, e a situação internacional é perigosíssima! 

              Diante disso o pai pensou: 

- Meu filho estudou na Universidade! Ouve rádio e lê jornais, portanto, deve saber o que está dizendo! 

              E então reduziu os pedidos de pão e salsichas, tirou o cartaz da beira da estrada, e não ficou por ali, apregoando os seus cachorros quentes. As vendas caíram do dia para noite, e ele disse ao filho, convencido: 

- Você tinha razão, meu filho, a crise é muito séria!" 

É bom lembrar também que a origem da crise atual foi a especulação sem qualquer tipo de regulação ou controle, baseado apenas na maximização do lucro fácil, rápido e astronômico de derivativos financeiros, portanto, no que pese as inevitáveis consequências que a redução da atividade econômica mundial trará para os países e pessoas, é preciso que se tenha em mente que a melhor forma de superar as crises econômicas é continuar trabalhando e produzindo.

Domingo, 10 de Agosto de 2008

Chico Buarque, Anistia e a Moral Relativizada.


A recente polêmica acesa pelo Ministro da Justiça Tarso Genro sobre a "responsabilização de crimes cometidos durante a ditadura" se mostra oportunista e contraditória. Oportunista por quê aberta por um governo sem a isenção necessária para fazê-lo, uma vez que está dominado por ex-integrantes de grupos que participaram da luta armada contra os militares e por terem perdido apelam ao revanchismo tardio. Contraditória pois essas mesmas pessoas que buscam a "responsabilização"(eufemismo para "punição"), cometeram atos criminosos e hediondos também naquela época, como sequestros, assaltos e assassinatos.

A defesa da dignidade e da liberdade humana tem que existir sem condicionantes e sem relativismos. No quesito prática de crimes, militares e esquerdistas revolucionários são iguais, tem suas contribuições a dar, o que muda são suas motivações. Os primeiros agiram para manter o poder e sufocar a resistência, esses últimos também não tinham uma intenção mais nobre. Lutavam para derrubar uma ditadura "de direita" para implantar no Brasil uma ditadura "de esquerda" nos moldes da que foi instalada em Cuba e que serviu de paradigma para incentivar a resistência armada e a formação de guerrilhas naquela época.

Aliás, os atuais integrantes do governo e da esquerda brasileira que patrocinam a revisão da Anistia são admiradores do regime cubano, regime esse que já matou dezenas de milhares de opositores. Ou seja, Fidel Castro está no mesmo balaio dos militares brasileiros da época da ditadura e deveria receber os mesmos adjetivos, como torturador, assassino e criminoso. Mas não o recebe por quê a moral dos que gritam em defesa da revisão da anistia é uma moral relativizada. Eles podem, os outros não. A defesa da ideologia de esquerda é maior do que a defesa da dignidade do ser humano. Existe opressão boa e opressão ruim. Os mortos pela ditadura militar brasileira são heróis e os mortos pela ditadura cubana são apenas opositores inconvenientes...

O cantor e compositor Chico Buarque é um emblema dessa contradição. Em 1970 quando compôs a música "Apesar de Você" que viria a ser o hino do movimento contra a ditadura militar no Brasil, Fidel Castro já tinha aniquilado totalmente os grupos armados que surgiram em Cuba contra o "governo revolucionário" que se instalou naquele país. O que desejavam e aspiravam os que lutaram contra Fidel? Que músicas cantaram? Não queriam um país melhor? Um outro dia, apesar da existência de um repressor?

Chico Buarque hoje tem uma foto sua na parede do "museu da revolução" em Havana e é ícone da luta contra a ditadura no Brasil. Ninguém melhor para ilustrar a moral de ocasião que alimenta esse debate.

Sou a favor da revisão da Lei da Anistia, mas que seja sob o mesmo lema utilizado quando da sua promulgação: "Ampla, Geral e Irrestrita". Que todos os que cometeram atos criminosos naquela época sejam responsabilizados e punidos, independente de serem militares ou civis e que estivessem contra ou a favor do governo. Crime é crime. Ou não???

Domingo, 13 de Julho de 2008

De Sanctis, um corintiano!



O Presidente Lula em sua recente viagem ao Vietnã exaltou a vitória que aquele país teve na guerra travada com os Estados Unidos, classificando-a como uma "conquista do oprimido", tendo em vista a imensa diferença em tamanho e poderio econômico e militar entre os dois países. O presidente estava realmente inspirado e explicou que nos anos 60 o Corinthians estava em uma má fase e isso o fez se identificar com os "fracos e oprimidos". É tão absurda sua explicação que se seguirmos seu raciocínio, se naquela mesma época o Corinthians estivesse ganhando todas as partidas, Lula hoje seria, no extremo, um neo-nazista!

Os oprimidos contam hoje com bastante defensores, infelizmente, apenas no campo ideológico e demagógico. No atual caso envolvendo a prisão do banqueiro Daniel Dantas decretada por duas vezes pelo Juiz Federal Fausto Martin De Sanctis e também por duas vezes solto por ordem do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, por trás de todo o jogo de interesse, de influência e de atropelamentos jurídicos, está clara a decisão do Juiz em prender um rico e não em prender um criminoso.

A decisão do Juiz que determinou a prisão de Dantas já pela segunda vez dedica boa parte da fundamentação batendo na tecla da "desigualdade social", "tratamento não-igualitário", "consciência de injustiça" e "preconceito de classe" dentre outros termos que fogem a objetividade da aplicação da Lei. A justiça tem que punir o cidadão que comete ato ilícito sem se desviar para aspectos secundários como a condição social, pois tomando como base o raciocínio torto de Lula no Vietnã, se o rico deve ser punido com mais severidade, a mesma lei deve ser leniente com o pobre, ou o "oprimido".

De todas as críticas que foram encaminhadas ao ministro Gilmar Mendes, concordo com a maioria. É no mínimo estranho e questionável seu envolvimento no julgamento em tempo recorde dos Habeas Corpus que soltaram Daniel Dantas, mas o ministro tem razão quando fala contra a espetacularização das prisões realizadas pela Polícia Federal. Quando as polícias não se concentram na confecção dos inquéritos de forma a juntarem provas, depoimentos e testemunhos que aparelhem o processo de forma que a Justiça possa efetivamente dar uma sentença punitiva aos criminosos, acontece o que vemos atualmente, conforme artigo publicado no site da AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros: prisões que duram poucos dias pois são feitas sob argumentos frágeis onde os advogados de defesa deitam e rolam e deixam o judiciário sem opção senão em mandar soltar os acusados. Essa situação sim é que contribui para a sensação de impunidade e não o acusado responder o processo em liberdade.

O Juiz De Sanctis que recebeu o processo da Polícia Federal que investiga Dantas, deveria ter se concentrado mais na substância das provas para que quando a prisão fosse decretada, a fosse de forma definitiva, em uma condenação resultante do julgamento do processo e não se utilizar de instrumentos como as prisões temporária e preventiva que só servem para fazer pirotecnia e para dar "satisfação a sociedade".

Domingo, 6 de Julho de 2008

A Imagem e a Mentira


As FARC que foram criadas no calor da pseudo-vitória revolucionária ocorrida em Cuba, tornaram-se em sua face mais visível naquilo que toda oranização comunista mais dia menos dia se transforma: foras-da-lei que desrespeitam os direitos das pessoas e que tentam impor pela força sua visão de mundo.

A luta revolucionária armada já não faz mais sentido. A única justificativa seria lutar contra um regime opressor e com o objetivo de instalar a democracia. As FARC, ao contrário, lutam contra um regime democrático e pretendem instalar um regime comunista financiado com dinheiro do tráfico de drogas e sequestros. Não admira terem admiração por Guevara e seus métodos de perseguição e eliminação de opositores e contarem até hoje com o apoio de Fidel Castro, outro expoente comunista.


Che Guevara, o ícone daquela época cuja imagem foi (e ainda é) utilizada como incentivadora de movimentos semelhantes, sobretudo na América do Sul e África e que resumia o "guerrilheiro ideal", teve também, através da sua imagem participação na libertação da colombiana Ingrid Betancourt que foi mantida como refém pelas FARC durante 6 anos. Um dos soldados colombianos infiltrado na organização usava uma camiseta com a imagem de Guevara para passar aos guerrilheiros a certeza de que era realmente um deles.


O fato é uma síntese do que o mito Che Guevara realmente é: Uma mentira, uma ilusão, algo que engana, que ludibria, que decepciona e faz as pessoas tomar decisões erradas. A imagem acima ilustra a conclusão. Em Havana em uma parede mal cuidada um pobre cubano descansa de sua miséria abaixo da imponente imagem do mito que lá e para os que o admiram sempre será maior e mais importante que o Homem.